Odd e os Gigantes de Gelo

Odd é um garoto de uma vila Viking. Seu pai morreu em uma excursão e por isso sua mãe teve que casar-se novamente, mas o menino não gostou nada do padastro e dos filhos deste. A perna de Odd sofreu um grave machucado quando ele partiu para a floresta com o machado utilizando em outrora pelo pai em seu ofício. É uma vida difícil para o garoto depois disso, ainda mais com o inverno que se mantém além do que deveria. Odd decide ir até a velha cabana do pai no meio da floresta e lá encontra uma raposa que o convence a seguí-la. Logo então, Odd se envolverá numa aventura junto aos deuses Odin, Loki e Thor – transformados em falcão, raposa e urso respectivamente, para retomar Asgard das mãos de um Gigante de Gelo que enganara os deuses e roubara Mjolnir, tomando, assim, o controle de Asgard e a mão de Freya em noivado para sí.

É animador ver mais e mais livros do Gaiman sendo publicados no Brasil. Isso demonstra que a legião de fãs tem crescido e que as editoras estão percebendo isso. Além do que, o livro foi publicado com um bom tipo de folha, orelhas grandes, verniz localizado na ilustração da capa e uma borda dourada ao redor dessa ilustração, mas ainda assim o preço do livro se manteve bem acessível (média de 12R$ a 20R$ – Comprei por 12,90 no submarino).

Para quem não conhece o trabalho do autor, devo então citar que Neil Gaiman é autor da mundialmente cultuada graphic novel “Sandman” e de romances como “Stardust” (com ilustrações de Charless Vess), Coraline (com ilustrações de Dave McKean e adaptado para o cinema por ninguém menos que Tim Burton). Além disso, Gaiman fez o roteiro do filme Mirrormask (2005), de Dave McKean. Percebe-se, portanto, a maleabilidade do autor, atuante tanto na literatura, quanto nos quadrinho e também no cinema. Ah, não posso esquecer de comentar que as ilustrações de Brett Helquist são muito bacanas. Helquist é conhecido também pelo seu trabalho na coleção Desventuras em Série, de Lemony Snicket.

Odd e Os Gigantes de Gelo foi escrito por Gaiman para o Dia Mundial do Livro no Reino Unido. Trata-se de um livro pequeno e de leitura rápida, mas deveras saborosa. Uma fábula infanto-juvenil capaz de encantar pessoas de todas as idades.

Sunset Boulevard (1950)

SUNSET BOULEVARD


Sunset Boulevard (1950), de Billy Wilder, é um filme que nos apresenta um enredo  trágico e emocionante. Um prato cheio principalmente para os apaixonados pelo universo da arte cinematográfica. Assim como muitos filmes daquela época, Crepúsculo dos Deuses, como ficou conhecido aqui no Brasil, tem sua história ambientada em Hollywood, mas especificamente no universo cinematográfico do qual a cidade faz parte.
Na primeira sequência, o narrador nos apresenta os primeiros acontecimentos que caminham para o fato de que o protagonista está morto dentro da piscina de uma mansão em Sunset Boulevard. O mais formidável: o narrador é nada menos que Joe Gillis (William Holden), o próprio protagonista. Embora isso possa parecer estranho quando se analisa a situação de modo racional, acaba não sendo tão perturbador e o espectador tende à relevar tal fato. Esse narrador nos leva aos acontecimentos que antecedem a morte do protagonista, sendo esta estrutura, portanto, uma forma bastante singular de se construir a narrativa cinematográfica na época.


Gillis é um argumentista que está passando por uma fase difícil na carreira, sem conseguir vender seus trabalhos. Por uma peripécia do destino, acaba indo parar na mansão de Norma Desmond (Gloria Swanson), uma famosa atriz dos tempos do cinema mudo, cuja única companhia em sua mansão na Sunset Boulevard é Max (Erich von Stroheim), seu mordomo, que mais tarde descobrimos ter sido um promissor diretor, mas que por seu amor e zelo pela senhorita Desmond, abandona o ofício para dedicar-se à ela, outrora sua esposa. Gillis se relaciona com Norma, mas se vê apaixonado por Betty Schaefer (Nancy Olson), uma revisora de textos da Paramount, noiva de Artie Green (Jack Webb), um assistente de direção. Percebemos na rápida descrição dos personagens que todos se enquadram, mesmo tardiamente (como é o caso de Max, que só mais a frente na história descobrimos ter sido diretor dos primeiros filmes de Norma), dentro desse universo do cinema em Hollywood. Como os livros que contam histórias sobre contadores de histórias, Sunset Boulevard conta a história de personas envolvidas no fazer cinematográfico: escritores, diretores, atores, etc; e seus conflitos e desafios numa cidade em que muitas estrelas e grandes talentos, cedo ou tarde, acabam desvanecendo.

Gillis, Norma e Max

O enredo não trata apenas de Joe Gillis e os acontecimentos que levaram a sua morte naquela fatídica madrugada. Ele é também um caminho para que o espectador conheça melhor a figura de Norma Desmond e o amargor vivenciado pela estrela cujo brilho foi desvanecido com o advento do cinema falado. A personagem não poupa esforços para criticar tal cinema falado e seus longos diálogos.  A atriz Gloria Swanson é perfeita para o papel, uma vez que tem uma longa carreira na qual perpassou o cinema mudo e vivenciou a permuta para o cinema falado. Os gestos e feições exaltados da senhorita Desmond demonstram a recusa da personagem em aceitar que os diálogos por si só sejam suficientes no trabalho do ator. É como se ela fosse um ser anacrônico, transportado repentinamente da década de 20 para os anos 50. Gillis, por outro lado, é um grande valorizador do diálogo e demonstra isso quando se relaciona com os outros personagens, articulando bem suas frases. Percebe-se, portanto, uma grande distância conceitual entre os dois personagens.
Gillis não é um homem egoísta ou ambicioso e não está interessado no dinheiro de sua amante. Embora tenha intenção de deixar Norma, Joe recusa partir com Betty, ainda que esteja apaixonado por ela. Ele arma um diálogo na mansão para que Betty não desista do noivado com Artie Green, também seu amigo. Isso demonstra que Gillis tem um grande caráter, preferindo voltar para Ohio e enfrentar as chacotas por ter voltado de mãos abanando, que continuar vivendo uma relação insípida com Norma Desmond ou trair o amigo Artie. Norma, por outro lado, se recusa a aceitar e sucumbi a loucura dos longos anos de esquecimento, atirando em Joe quando este está indo embora. A loucura é, por fim, o único alento para a estrela desvanecida. “As estrelas não tem idade, não é?” diz ela após atirar no amante, com a feição exaltando seu estado de choque emocional, em um atuação tal como faziam as atrizes do cinema mudo.
O filme é um excelente relato do universo cinematográfico hollywoodiano da época. Norma Desmond é um retrato das tantas estrelas que com o tempo foram destituídas de seu brilho,  ofuscadas pelo fulgor luminescente das novas e belas estrelas que iam surgindo. Dizem que ao olhar o céu de Hollywood não é possível ver muitas estrelas, pois todas estas caminham estonteantes pelas ruas da cidade. Porém, devo eu comentar que a cidade tende a desvanecer até mesmo a mais luminosa das estrelas. O cinema é uma arte formidável que ajuda a construir pedestais magníficos para seus artistas, embora a queda desses lugares de elevação possa ser extremamente dolorosa e insuperável. Tal dor nunca fora superada por Norma Desmond.

Inimigo Oculto – Personagens (CtD)

PERSONAGENS

ANANDA (faename KARABÁ) é uma advogada com personalidade bastante calculista. É incapaz de recordar qualquer lembrança anterior aos seus oito anos de idade, quando, segundo seus pais, ela fugiu de casa e foi encontrada no dia seguinte em estado de choque numa praça da cidade. Desde então Ananda tem pesadelos em que é perseguida mas nunca consegue ver o aspecto da criatura que a persegue. Portanto, faz análise psiquiátrica periódica desde os 8 anos.

Seus pais são figuras apáticas e sempre buscam mantê-la sob supervisão. Por conta dessa tutela ferrenha, Ananda nunca teve oportunidade para distanciar-se da cidade onde vive e até então fora incapaz de despertar e compreender sua natureza Exu. O único refúgio da banalidade em sua vida é a relação que tem construído com sua irmã adotiva, Amanda, de três anos de idade.

ANNA (faename AZEEZA) é uma vigorosa bailarina, pertencente ao kith dos sátiros, apaixonada por dança do ventre. Seus olhos encantadores são de um verde amarelado e sua beleza chega a atingir o nível do surreal, conquistando facilmente a atenção total daqueles que a veem dançar. Anna almeja viajar pelo mundo e vivenciar situações aventurosas, sempre na companhia de bons amigos, pois teme viver de forma solitária.

Abbas, um prestigiado troll, tem estado com Anna desde sua Crisálida, durante o Saining e tem sido sua principal companhia até então, ensinando-a aquilo que precisa conhecer e também protegendo-a na medida do possível dos perigos do mundo.

CAIO (faename PROMETEU) é um jovem Pooka lobo de 17 anos. Aos 16 anos de idade, poucos antes de sua Crisálida, fugiu de casa para juntar-se à uma trupe de artistas circenses,  ansioso por se sentir livre da tutela dos pais, estes que eram incapazes de compreendê-lo. Caio tem um certo receio de prender-se a algo ou alguém, pois acha que isso pode ameaçar o seu ideal de liberdade.

ZILA (faename BABEL) é uma adolescente de longos cabelos negros com uma mecha branca no lado da orelha esquerda, lábios finos, olhos grandes e penetrantes, dentes pequenos e muito juntos. Foi abandonada ao nascer e não sabe nada de sua família biológica. Vive atualmente num orfanato em um regime disciplinar bastante rígido no qual não consegue se habituar as regras.

Zila deseja fazer parte de algo maior que a própria realidade banal de seu dia-a-dia. Quer fugir de um mundo que a rejeita constantemente e experimentar um pouco de liberdade. Sua natureza Sluagh se reflete em seu gosto pelos recantos escuros e secretos do orfanato e no fato de gostar de assustar as outras meninas da instituição.

Labyrinth (1986)

Interessante pensar nos filmes da década 80, principalmente aqueles que buscaram utilizar elementos fantásticos e, por isso, tinham que, em lugar da modelagem 3D e dos efeitos especiais de computação gráfica, trabalhar com efeitos visuais, bonecos, construção detalhada de cenário físico e uma série de coisas para se garantir um toque verosímil aos filmes do gênero Fantasia/Ficção Fantástica.

Labyrinth (1986) ou “Labirinto: a magia do tempo”, dirigido por Jim Henson, é bastante representativo da época e contou com outros grandes artistas além de Jim, como por exemplo David Bowie interpretando Jareth, o Rei dos Goblins, e Brian Froud como designer conceitual.

Sinopse: Sarah (Jennifer Connelly) tem o irmão Toby (Toby Froud) levado pelo Rei dos Goblins, Jareth (David Bowie). Para resgatar o irmão, Sarah terá que desbravar o labirinto até chegar a cidade dos goblins antes que o tempo determinado por Jareth acabe e seu irmão seja transformado em um goblin. Apesar dos perigos, Sarah contará com a ajuda de amigos que encontrará pelo caminho, como Hoggle, Ludo e Sir Didymus com sua fiel montaria o cão Ambrosius.

Ludo e Sarah

Hoggle

Sir Didymus e Ambrosius

*

*

*

*

*

*

*

*

*

Atualmente, quando se tem personagens desse tipo no enredo, opta-se pela computação gráfica, mas naquele tempo não era possível e o trabalho com bonecos com controles mecânicos básicos era bastante comum. No caso de Hoggle, sua cabeça foi construida para possibilitar a movimentação de várias partes do rosto, como olhos e boca. Enquanto a atriz Shari Weiser interpretava com o figurino e expressão do resto do corpo, outras 4 pessoas controlavam as expressões faciais de Hoggle. Imagina só… 5 pessoas trabalhando coletivamente na interpretação de um personagem. Enquanto isso, Ludo era um boneco grande, pesando em torno de 35 a 40kg, no qual duas pessoas alternavam na manipulação do personagem. Mas não se deve esquecer, é claro, dos Goblins:

GOBLINS!

Aqueles que acompanham o trabalho de Brian Froud vão gostar muito dos goblins no filme. Alguns são um tanto malvados enquanto outros são idiotas e todos são muito bem construidos. A cena da música “Magic Dance” conta com mais de 40 bonecos, com os goblins fazendo uma enorme bagunça. Deve ter sido muito tenso fazer essa cena. Se já fosse difícil se trabalhar com um bebê (Toby), pense então em adicionar mais de 40 bonecos sendo controlados por pessoas escondidas em cada canto do cenário que fosse possível. Além dessa, dá pra citar também a cena das escadas em que Jareth aparece de todas as direções em um emaranhado de degraus por todos os lados e sentidos.

Todo o cenário precisou ser construido

Labyrinth é um filme que realmente precisa ser lembrado. O excelente trabalho com os bonecos e originalidade do design conceitual elaborado por Brian Froud. É um enredo simples, mas com inúmeros elementos artísticos em sua composição que o tornam digno de nota. Além desse, Jim Henson dirigiu Dark Crystal, em que todos os personagens são bonecos. Por fim, em Labyrinth, os personagens bonecos além de serem uma ótima alternativa para aqueles tempos, conseguem cativar facilmente o expectador.